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Psicoapatia


Fernando é o homem mais novo da sua aldeia, com uns joviais quarenta e sete anos. Por ser o mais novo, é o faz-tudo lá da terra. Apesar de precisar de descansar, Fernando é incapaz de recusar ajuda aos seus vizinhos. O problema é que os vizinhos não sabem quando parar. Decidido a tirar umas férias, Fernando sai da aldeia sem avisar ninguém.

Nessa mesma noite, a vários quilómetros de distância, Henrique, um perigoso sociopata, fugido da instituição onde estava internado, chega à aldeia de Fernando e ocupa a sua casa. Os aldeões não dão por nada, pois Henrique é em tudo igual a Fernando. Pelo menos na aparência.

Pior sorte tem Fernando que é detido pela polícia. Quando o engano é desfeito, descobrem que mais surpresas os aguardam na aldeia de Fernando.

Carma



Lembro-me de como tudo começou. Lembro-me de como tudo vai acabar. Não sei se isso é bom ou mau. Sei que já não me resta muito tempo. Sempre soube. Pode parecer estranho mas o futuro não me vai trazer grandes surpresas, isto porque eu conheço o futuro. Em todo o seu esplendor, ou na falta dele. O meu futuro, quero dizer. Sei exactamente onde vai acabar, ou melhor, quando vai acabar.

Olhando para trás, penso. É tudo o que posso fazer agora preso a esta cama, limitado apenas a um ligeiro mexer de dedos que me permite escrever estas palavras. Sinto-me reduzido a uma pálida sombra do que era. Pior que estar assim, só mesmo saber que isto estava destinado a acontecer e não ter feito nada para o impedir. Como poderia fazê-lo?

Que vida triste é viver sem ser surpreendido uma única vez. Não que não tentassem, simplesmente era difícil conseguirem-no porque eu sabia tudo o que ia acontecer de antemão. Desde que apareci nesta coisa a que a maioria chama vida que conheço a data do meu fim. Está próxima. Muito próxima, aliás.